A primeira destilação da vida (e quem sabe, a última?)

Atualizado: Out 29

A vida é generosa quando você se coloca em movimento e em abertura ao que é preciso.

A razão nos leva para um caminho já conhecido, enquanto a permissão nos leva pra outro, que a razão jamais imaginaria.

Venho de vivências alquímicas longínquas. Meu universo sempre fez parte das ciências ocultas, dos elementos, da magia. Um conhecimento antigo que habita em mim com clareza.

Esse ano me propus a olhar novamente para tudo o que já sabia, para observar a linguagem usada nesse tempo-espaço. Aproveitei o on-line e mergulhei nas formações de astrologia moderna e cosmoanálise híbrida, que une astrologia com tzolkin numa leitura mais profunda do mapa natal e das energias, relacionados com a sabedoria Maia, o tempo real, o sincronário da paz e tantas outras coisas.

Foi interessante entrar em contato com isso numa linguagem atual, observando a leitura e entendimento que estão trazendo sobre essas sabedorias nesse agora.

Alguns saberes são atemporais porque acessaram a fonte primordial da verdade. Porém, num multiuniverso muldimencional, cíclico e em constante movimento, não há nada que permaneça igual.

Dessa forma, não há como acessar conhecimentos sem recontextualizá-los para o momento atual.

A vida deve ser uma eterna releitura, não uma eterna repetição.

Toda sabedoria trazida pelas civilizações antigas, pelos filósofos e cientistas da antiguidade são úteis para compreendermos a história e a evolução, mas as características de hoje já não são as mesmas de antes, nem as demandas.

Universo é expansão, e ela nunca pára. Os céus de hoje não são são mesmos de antes. Novos elementos chegam, enquanto outros partem. Os desafios evolutivos do passado são diferentes dos que vivenciamos agora. Tudo está em movimento, o tempo todo. Nada permanece igual.

O desequilíbrio que vemos está na estagnação dos entendimentos, na cristalização dos equívocos e na repetição inconsciente.

Vida é atualização, fluxo, acesso, abertura, fluidez. Tudo é movimento.

Ciclos são para serem vividos, não eternamente repetidos. Evolução requer atualização, que leva a adaptação constante.

Foi importante mergulhar nos conhecimentos antigos e perceber que eles, hoje, são de cunho meramente informativo, que te tiram de uma caixa e te colocam em outra. Descontroem um dogma e criam outro. Que te mantém dependente de mapas, leituras e conduções externas. Permanecem mantendo as pessoas dependentes de algo ou de alguém que as guie.

A melhor experiência que tive com essa experiência foi constatar que as ondas encantadas do Tzolkin acontecem na minha vida antecipadamente. Vivo os ciclos informados nos cálculos antes que eles aconteçam.

Existe uma essência que permanece, mas um ritmo não que é mais o mesmo, e muitos continuam procurando algum lugar "onde se encaixar", sendo que o fluir da vida não requer encaixotamentos.

Somos sim influenciados pelos movimentos do Cosmos, mas eles não acontecem naquele dia, naquela hora, onde se comemora e onde se realizam rituais; todo evento acontece numa sucessão até o ápice, que só pode ser sentido, não previsto.

Previsões são suposições. O sentir nunca falha.

Estamos sim saindo da era de peixes e adentrando na era de aquário. Estamos transitando de uma para a outra, então as duas estão coexistindo aqui, conosco, já, nesse momento. Uma não sumirá para a outra emergir, elas vão se fundindo até que a nova energia predomine.

Essa transição de uma energia para a outra vivemos constantemente, em cada momento da nossa vida, mas achamos achamos somos sempre os mesmos, que permanecemos iguais.

A energia da noite não é a mesma do alvorecer. Nascemos e morremos a cada respiração. Expandimos e retraímos a cada batida do coração. Esse é o fluxo, nada para.

Por muitos anos me julguei prepotente em pensar diferente de muitos gênios e sábios. O discurso deles faz sentido para o período em que aqui estiveram, e se permanecemos considerando aqueles saberes como única verdade, não iremos além daquilo que eles já acessaram.

Uma voz interna sempre me alerta sobre as informações ditas "realidades absolutas" que chegam até mim: -quem disse?

Esse alerta sempre me levou além daquilo que é informado, mas por muito tempo me recriminei por pensar, ser e sentir diferente da maioria, então pedia perdão pela minha soberba, me encolhia para caber naquele contexto e não me permitia ir além.

Hoje percebo que tudo o que a Creação quer é essa audácia, esse incômodo sentido pelas fórmulas prontas, pelos discursos decorados e a coragem de romper com os conceitos limitados e os padrões comuns e ousar ir além.

Se isso ressoa aí dentro, acompanhe, porque muita coisa "fora da caixa" está para sair do plano das ideias para ser manifestado aqui, nessa realidade, para que possamos usufruir de tudo o que nos é ofertado com sabedoria e alegria.

Se você quer formações, cursos certificados e diplomas, siga o comum, mas se sente o chamado por algo além do que já foi vivenciado aqui, se prepara para se desencaixotar, se desformar, para acessar uma nova maneira de viver.

E o que tudo isso tem haver com o título desse texto enorme - minha primeira destilação (e quem sabe a última)?

Porque a minha última formação está sendo em Espagiria - nome dado a antiga alquimia - onde Paracelso foi um dos precursores na separação do puro do que é impuro, através de técnicas complexas e longas de destilação e demais processos.

Há anos com o propósito de INTEGRAR as partes, que estão separadas por milênios de repetição, mergulhar também na sabedoria alquímica espagírica da separação, foi essencial para romper definitivamente com o padrão separatista.

Fiz hoje minha primeira destilação para colocar em prática o conhecimento (re)adquirido no curso. Demorei meses para formatar em minha mente um destilador que atendesse ao meu sentir, e que também me levasse além do conteúdo ensinado.

Já sabendo que separar o fixo do volátil, o puro do impuro, foi necessário em tempos passados, mas não mais é hoje.

Hoje o chamado é pela INTEGRAÇÃO de todas as partes que nos fizeram ver como fragmentos e que nos afastaram da nossa própria verdade.

O processo de destilação aconteceu lindamente; obtive o hidrolato e o óleo essencial da lavanda que colhi com carinho, mas meu coração doeu em ver algo íntegro sendo separado.

A razão se alegrar em ver o anel de óleo puro da planta que se doou para o processo, mas meu sentir entristece em vê-la separada de si mesma.

Não, não precisamos mais de extratos concentrados, retirados pelo poder do fogo físico das entranhas dos seres.

Precisamos de sutileza integrada, de interação amorosa, suave, leve, que nos auxilie no processo de equilíbrio necessário para esse agora.

Óleos essenciais são densos, usados pelas plantas como proteção contra ataques ou fatores desafiadores. Quando extraímos sua defesa estamos entrando em contato com a densidade da necessidade da proteção, do ataque para a defesa. É como remover o equilíbrio de sua totalidade íntegra e acessar apenas a parte densa de sua existência.

Evolução é sutilizar-se de maneira integrada. É usufruir do que está disponível em totalidade, compreendendo a consciência que ali habita e estabelecer uma comunicação inteligente com ela.

A natureza faz parte de nós. Somos natureza. Integrar nossas partes que foram separadas é o que se requer para que sigamos expandindo.

Aqui me alegro com a clareza do processo, que só reforça o que já é por mim sentido já há tempos.

Chega de separação, o mundo de hoje, os aprendizados de hoje são de INTEGRAÇÃO.

E como nada é ao acaso, todo o processo de aprendizagem desse ano, me trouxe para esse espaço de confiança que agora estou, de que não há nada mais certo do que aquilo que sentimos, independente do que informam.

A espagiria fará parte da minha rotina daqui para frente, não separando, mas integrando partes e consciências em prol da promoção do acesso ao novo, a partir dos oleolitos e melitos, que são preparados alquímicos respeitosos que ressoam com o meu propósito de vida.

Da união de consciências vegetais com óleos ou mel, em preparados de longo período expostos ao Sol, integrarei o conjunto harmônico que habita nesses seres para criar espaço e expandir além.

Nada de separação, tão pouco extrativismo ou criação de demanda de produtividade nociva. Lembrando que cada retirada de flores ou derrubada de árvores prejudica o equilíbrio dos seres; lembrando que o reino animal também usufrui das plantas para se compor.

Aqui agora apenas colaboração entre reinos, usufruindo da presença do que já está disponível e utilizado o excedente para que todos possam usufruir dessa magia que é a vida integrada.

Agradeço os chamados de adentrar e rever tudo isso para despertar para o novo. No curso de espagiria o que despertou de mais intenso foi a produção agroflorestal de sementes crioulas. Uma nova forma de me relacionar com a terra que estava ausente ou incompleto por aqui.

Com tudo isso, agora sim, volto a me alinhar com aquilo que acredito, em um novo nível de consciência, principalmente para oferecer os meus Produtos do Bem totalmente renovados, com a força e a energia necessárias para este momento. A sabedoria da terra, integrada ao fazer humano em respeito, promovendo equilíbrio e o acesso à novas realidades.

Sou Shely Pazzini, bióloga integrativa, num novo momento de vida, somando e expandindo!



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